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1 de outubro de 2012

Artista tem dessas coisas


(Inspirado em Dani Guerra)

Liguei porque tive saudade. Ah, queria só ouvir, nem sei se queria ver, tocar... Enfim, no desencontro das agendas não o vi, ele não me olhou. Depois de alguns dias, telefone toca pedindo uma conversa a mais entre nós. Eu já disse tudo que tinha para dizer, não tenho nada para acrescentar! Ir até seu encontro? Será? Tenho saudade? Ah, é dispendioso demais, não quero. Hoje, ele não ligou. E cá estou de olhos fechados, controlando o cigarro, limitando a cerveja e pedindo baixinho: Liga mais uma vez, faltou eu dizer o quanto isso que não tem nome desmantela minhas cores e tem seu cheiro. 

31 de agosto de 2012

Diário de uma professora.


Para a mais nova “militante” das redes sociais, Isadora Faber.

Garota do momento, Isadora Faber, sou professora e posso com todo carinho te dar umas aulinhas de respeito a minha profissão e, mais ainda, de como funciona o sistema educacional do Brasil. Garanto-te uma coisa, não são os professores os culpados. Vá estudar queridinha, vá virar gente e fazer luta real, porque a escola pública não é a novelinha malhação, não se limita a sua realidade. Concordo que é preciso melhorar e muito, mas cobre de quem de fato nos deve: o governo. Acho justo utilizar as redes sociais para protestar e divulgar suas ideias, já para virar 'estrela'... Poupe-nos do 'showzinho' irritante’. “hoje estou cansada porque dei muitas entrevistas...”

Você é um desrespeito aos professores e uma desinformada com relação à educação brasileira e especialmente com a luta de muitos profissionais que defendem e trabalham (mesmo sem recursos qualificados) uma educação de qualidade. Respeite para ser respeitada. Vá tratar de estudar, vire gente, faça luta e venha opinar soluções possíveis, respeitosas e dignas para todos. Ficar dando chilique com quem não é culpado pela deficiência de sua escola ou da educação no Brasil não resolve nada, você é a ‘estrelinha’ do momento e logo mais ninguém vai lembrar-se de você. Acorda fedelha! Desliga a TV e vai estudar! Vai cobrar educação de qualidade montando um grêmio, vai saber por que há meses as universidades do Brasil estão em greve e os jornalecos desse país nada falam, vai procurar saber do mundo lá fora e cria envergadura moral para falar comigo e todos os meus colegas de profissão.  

E por fim, dedico as linhas abaixo aos senhores responsáveis por Isadora Faber, ‘a justiceira’, nenhuma criança é responsável por seus atos, os adultos sim, ou seja, cuidem dessa garota, eduquem e deem a ela lições de amor e respeito ( a educação e formação de uma criança não é papel exclusivo da escola, a família é um dos pontos fundamentais).  Lembrem-se de dizer a ela que: príncipes encantos não existem, super herói também não e, professor em parte alguma do mundo, sem recursos, é capaz de ter o tal ‘controle da turma’. Ela é uma marionete no meio de uma mídia avassaladora, tomem conta dela, eduquem para que seja uma cidadã que respeita e participa da sociedade e não uma ativista momentânea. A causa é justa e deve ser uma luta de todos.

Ah, e antes que alguém diga que sou uma professora praticando bullying, deixo claro que o nome disso, além de revolta pelo desrespeito sofrido, é um choque de realidade.




9 de agosto de 2012

Recadinho

Não, o Rio de Janeiro não me traz mágoa alguma, porém, para de mandar recadinhos por terceiros! Daqui de Recife também vi como a última lua cheia estava bela, mas juro, hora alguma me lembrei de você. Na verdade você só existiu por uma noite, nela entreguei meu coração em suas mãos e, na manhã seguinte, a mensagem do celular me aconselhou a pegá-lo de volta.  As horas preciosas que te dei com esse pedaço meu tão cheio de amor foi tudo que um dia existiu de real entre nós e, você não soube o que fazer. Preferi ir embora, voar sozinha, afinal, você não tem o gingado que eu preciso, nem sambar você sabe! 
Ah, maldito garoto zona sul, sua bossa nova é cafona aos meus ouvidos, ou samba miudinho e desce até o chão, ou nem vem com essa conversa mole, porque sou daquelas criada ao sol, na praia e, como você mesmo diz, cheia de marra. Moço, cá onde vivo tenho tudo que preciso, você não cabe, não existe e nem faz parte dos planos futuros.  Eu sei que longe de mim a vida é um tanto sem graça, mas vá, rapaz, encare a vida sem medo, seja homem ao menos uma vez e permita-se a felicidade. Saiba que aqui, bem longe de você, meu sorriso é largo.

12 de junho de 2012

A culpa dos astros.

Será, Caio Fernando Abreu ?
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu prá você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, todos iguais
Até que nem tanto esotérico assim..."

8 de março de 2012

As meninas da UJS são as mais lindas flores do 8 de março.



Mulheres em Luta por uma Nova Sociedade

Apesar das dificuldades, a trajetória de lutas das mulheres brasileiras é marcada por muitas conquistas. Há 80 anos garantimos nosso direito ao voto e, cada vez mais, avançamos na ocupação de espaços em uma sociedade predominantemente machista. Porém, os avanços ainda são tímidos; para que tenhamos a efetiva superação das desigualdades, existe um longo caminho a ser percorrido. No Dia Internacional da Mulher, além de comemorarmos as conquistas, sairemos às ruas para lutar por mais direitos e pelo fim das opressões.
Entendemos que a opressão econômica sobre as mulheres é um problema estrutural do capitalismo, por isso, neste 8 de março, reforçamos a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento, com distribuição de renda, valorização do trabalho e ampliada participação feminina. A construção de uma nova sociedade só se torna possível com o combate à precarização do trabalho, com a valorização do salário mínimo e a garantia de salário igual para trabalho igual.

Na direção contrária ao desenvolvimento nacional que almejamos, o ajuste fiscal anunciado pelo governo para combater a crise financeira é repudiado por nós, mulheres, que pagamos o preço mais alto de tal medida: somos as primeiras nas filas de demissões; e além de termos que dar conta do trabalho doméstico, que é naturalizado como obrigação feminina, carecemos das funções sociais que, teoricamente, deveriam ser oferecidas pelo Estado. Esta situação é reflexo da ideologia capitalista, conservadora e patriarcal que relega as mulheres à esfera privada, ao mesmo tempo que contribui para o avanço da prostituição e da violência contra nós.

Nossa luta reivindica uma consistente participação do Estado na garantia de políticas públicas de acesso à saúde, educação, transporte, terra e moradia, determinantes para reverter as difíceis condições sociais impostas às mulheres trabalhadoras. Só com 10% do PIB para educação poderemos garantir ensino de qualidade, creches públicas e gratuitas para as crianças brasileiras. Pelo fim de todos os tipos de violência contra a mulher, defendemos a efetivação da Lei Maria da Penha. Para que findem as mortes e sequelas causadas pelo aborto inseguro e clandestino, lutamos pelo SUS e pela descriminalização e legalização do aborto, que deve ser entendido como questão de saúde pública.

Com a certeza de que o protagonismo das mulheres é essencial para a construção de um novo mundo, sublinhamos a importância da participação feminina nos espaços de poder e de decisões políticas. Somente com organização e luta, conseguiremos combater as desigualdades históricas que, em pleno século XXI, continuam a nos agredir.

Em 8 de março, vamos à luta contra a violência, por mais direitos e por um mundo melhor. Viva o Dia Internacional da Mulher!

Bianca Rihan- 8 de março de 2012.

Texto do site da UJS:

6 de março de 2012

Cinema São Luiz.


Em todas as manhãs em que te vejo lembro-me da minha infância, mais precisamente da nossa primeira vez... Ah, a primeira vez que te vi foi há tanto tempo, mas nunca esqueci. Não recordo a idade, mas lembro com detalhes aquela tarde de sol recifense às margens do Capibaribe. 

Dezembro de um ano qualquer, tarde ensolarada, mãe, tia, irmãos e primos pela primeira vez aquele lugar mágico. Existiam algumas regras para entrar naquele espaço e logo minha mãe se prontificou a explicar: Lá dentro tem que fazer silêncio, não pode ficar correndo, mas pode comer pipoca.

Encantada com tudo, naquele cenário tão lindo da Rua Da Aurora, daquele final de anos oitenta, havia em mim uma expectativa. Nada do que eu imaginei chegou perto de tamanho deslumbramento quando lá entrei pela primeira vez.

Finalmente de pipoca não mão, vestia uma roupa com detalhes vermelhos, feita por minha avó, passei a cortina e me deparei com o escuro. Minha mãe segurava minha mão e me direcionava a poltrona ideal para essa criaturinha que sempre foi de pouca estatura. Em seguida, o sucesso da época gigantesco diante dos meus pequenos olhos: os trapalhões. Entre pipocas e risadas seguiu a sessão, até que o letreiro subiu indicando que havia chegado ao fim. Fiquei encantada. Como até então eu só conhecia o teatro achei cabível aplaudir, e assim o fiz: aplausos aquela maravilha toda! Foi quando um garoto malvado e, provavelmente mais experiente do que eu, disse zombando da minha atitude: quando acaba vai embora, não é para aplaudir, sua besta! Discordo dele até hoje. Nesse momento as luzes acenderam e o que parecia ter chegado ao fim ainda reservava imensas surpresas.

Era tudo tão grandioso e belo. O Cinema São Luiz, esse elegante resistente dos tempos modernos de shoppings e a fins, guardava no escuro das sessões o que há de mais belo: sua arquitetura. Fiquei deslumbrada.

Anos depois, após um longo período fechado para obras, o velho e elegante Cinema São Luiz, cenário de beleza da cidade do Recife, de beijos roubados no escurinho, de encantamento meu quando menina e até hoje, foi a escolha perfeita que fiz na idade adulta para levar, também pela primeira vez, os meus alunos ao cinema.

Como no passado, expliquei igualzinho a minha mãe sobre as regras daquele espaço e ao final eu pedi para que eles não olhassem o teto e a arquitetura em volta, mas sim, admirassem tamanha beleza.

Hoje, as novas gerações não vão tanto ao São Luiz, o que é lamentável, mas eu, sempre que posso, dou um pulinho por lá para matar a saudade daquela tarde que eu nunca esqueci.


23 de janeiro de 2012

Acontece que o jeito como você esfrega os pés nos meus...

Chuva, música com o som bem baixinho, a cabeça a mil e um textinho para acompanhar o dia. 
 
A moça me contou que aparentemente está tudo em paz. O mesmo flerte, as mesmas caras feias disfarçadas em sorrisos gentis e as pessoas de sempre. Ok está tudo como antes, pensou essa que vós escreve. Lêdo engano! O óbvio e esperado aconteceu, até que demorou bastante, mas aconteceu. Bem daquele jeitinho que eles adoram: sem planejar, sem compromisso, só instinto. Até ai tudo bem, mas a moça me diz: tem algo errado ai!

Conta que em algum momento, ela não sabe precisar em qual deles, tudo aquilo que ela nem achava ser mais possível voltou. Uma coisa louca que mistura o cheiro, o toque e aquele jeitinho de pegar no cabelo, sabe aquele que pega pela nuca? Pois bem, ela me contou que resistiu bravamente aquele entrelaçado de mãos-pernas-cabelo... Mas, ai... O som que vinha das ruas, o calor embaixo de chuva e aquele sujeito que mesmo diante daquela luz amarela que dizia: Alerta! Atenção! Nada fez e deixou-os ali.

Ah, quer saber? Disse a moça, até as pedras da rua sabiam que isso era muito possível. O que a moça não sabia era do inesperado gosto de “nada especial”. Francamente, havia uma expectativa, ela garante que muitos apostavam que se juntasse sairia faísca, e até saiu, mas ela não consegue ver graça. Ok, ela riu bastante ao me contar o ocorrido, mas cadê aquele chamego de antes, sabe? Os sinos não tocaram!!! Tem algo errado ai!

Hoje o dia está igualzinho aquelas fotografias antigas que sugerem o pensamento coletivo: Como será que alguém vestia uma roupa dessas? Parece que o sapado não cabe mais, e o mais estranho é saber que aquele sapato é seu! Ela não sabe explicar. Será que a vida, a vida real é assim? Será que o óbvio está tão evidente a ponto de confundi-la? Tem algo errado ai? 


O amor precisa de sol
E do barulho da chuva
De beijos desesperados
De sonhos trocados da ausência de culpa

(Exato momento - Zé Ricardo)


Vale a pena dá uma lida em Casal sem vergonha: http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/01/19/nao-e-saudade-e-tormento/  Dica da autora do blog Dizdizendo: http://dizdizendo.blogspot.com/

18 de janeiro de 2012

Amar mulheres muitas, amar cidades só uma: Recife.


Ou Por que o Recife é a melhor cidade do mundo!
Antes de tudo um alerta, inclusive para os recifenses mais jovens: o certo é O Recife, no Recife. Dizer em Recife é o mesmo que dizer em Bahia, em Rio. Pra gente soa um desastre. E é errado. Por favor, Folha de S.Paulo e toda mída sudestina.

Amar mulheres muitas, amar cidades só uma: Recife. Disse certa vez o poeta e tradutor alagoano Lêdo (Engano) Ivo, como chamamos no trocadilhismo bêbado.

Assim como sempre amei mais do que uma mulher, amo mais de uma cidade. Nenhuma, porém, amo mais que o Recife. 

Agora um pequeno e desnecessário  esclarecimento: sou dos recifenses nascido no Ceará, como Miguel Arraes, dom Helder e etc. Tô fraco de companhias, sorry.
Mais precisamente no Cariri.

Óbvio que amo o meu Crato, onde só nasci nem nunca morei. Óbvio que amo Santana, a maior reserva de fósseis de pterossauros gigantes do planeta, onde vivi a infância –Sítio das Cobras, perto de Aratama, Assaré, que luxo da gota serena.

Juazeiro foi amor de muito. Até os 15, 16, quando peguei o bacurau Princesa do Agreste que mudaria minha vida.

Família metade pernambucana, metade cearense, arrecifes pedrifiquei-me.
Cá me encontro. Sem vontade alguma de comentar nada do mundo. Sem aquela velha opinião formada sobre tudo. 

Apenas querendo dizer que amo até o cheiro desses bueiros apodrecidos do velho Recife Assombrado. Que amo como o boi que avoa do conde Maurício.

Cá me encontro. Com vontade de apenas dizer que sinto sim saudades grandes de SP, a generosa SP dos tempos pré-Kassab.

SP com luminosos tal Tóquio. A beleza-mor. Kaos. Loviu Liberdade e todas as minhas concubinas e augustas putanas.

Com o Recife, porém, ninguém compete. Recife melhor que Paris, como disse o amigo Mario Hélio no seu livro.

Se Deus fosse botar um piercing, como eu escrevi pro filme “Conceição”,  do estimado Heitor Dhalia, botaria no Recife. 

Aqui é o umbigo do mundo. Mesmo.

Recife, desculpaí seu Bandeira, Recife com arroz e com o neto de Arraes.
Evoco-te invocada cidade, evocações.

Recife com ou sem prefeito. Bom de todo jeito.
Hellcife.

Nessa tarde da rua da Aurora, a mais bonita do mundo segundo Gilberto Freyre, as morenas ficam mais lindas.

Avisto daqui da janela a mais bela das comerciárias. 

Jambo-girl? 

Não. 

Morena caldo-de-feijão-vermelho. Foi meu amigo Duncan Lindsay, from Garanhuns/New York, que me ensinou a catalogar os 17 tipos de morenas do Nordeste brasileiro.
Foi.

Eu lambi o umbigo do mundo, caro Cícero Dias, e ele se derretia nesta tarde com tuas cores, mangas, e pronto.

24 de dezembro de 2011

Feliz Natal!

(Natal Monstruoso 2011)

"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril“. (Fernando Pessoa)

13 de dezembro de 2011

"Solte o cabelo! Prendam os racistas!"

“O MUNDO É ASSIM”, DIZ COLUNISTA SOBRE CASO DE RACISMO

Ester, que foi mandada pela diretora da escola a alisar o cabelo

Eu nem ia falar do caso envolvendo uma escola particular de SP e a estagiária Ester, mas um leitor me enviou um email revoltado com uma coluna que leu, e pediu a minha reação. Então, ao caso, que até já saiu no Jornal Nacional, noticiário-chefe de uma emissora cujo diretor de jornalismo jura que Não Somos Racistas (este é o título de seu livro, e ele não é irônico). Ester, negra (e, se me permite a opinião irrelevante, belíssima), 19 anos, estudante de pedagogia, foi contratada no começo de novembro para ser estagiária de marketing no Colégio Anhembi Morumbi. Ela ficava ao lado da recepção, e uma de suas funções era mostrar a escola aos pais de alunos interessados. Logo que chegou, passou a receber recados da diretora para prender o cabelo e não circular pelos corredores. Finalmente, a diretora a chamou para uma reunião onde, segundo Ester, lhe foi dito: “'Como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso'". A diretora também lhe disse que iria arranjar umas camisetas para que Ester cobrisse os quadris.
Abalada com a "reprimenda", Ester primeiro foi chorar no banheiro. Depois, corajosa, foi a uma delegacia denunciar o racismo praticado contra ela. Fez um boletim de ocorrência de acordo com a Lei Estadual nº 14.187/10, que prevê punição a "todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física".
A escola lançou nota se defendendo e, mais uma vez, metendo o pé pelas mãos. Um trecho diz: “o colégio zela pela sua imagem e, ao pregar a 'boa aparência', se refere ao uso de uniformes e cabelo preso". “Boa aparência”, qualquer pessoa honesta que trabalha com Recursos Humanos pode confirmar, é um código usado para excluir candidatas ao emprego (não costuma ser aplicado pra homens) que estejam fora do padrão de beleza (gordas, moças com necessidades especiais, e, principalmente, negras). Historicamente, toda vez que se lia “Contrata-se recepcionista com boa aparência”, o subtexto era “Negras não precisam comparecer”. Isso só começou a mudar justamente quando o racismo virou crime.
Na matéria do JN, uma representante da escola (não a diretora, que não quis dar entrevistas) disse que houve um ruído na comunicação, e que todos os funcionários devem usar cabelo liso e uniforme. Estranho ela adotar o masculino aqui, porque duvido que a escola tenha muitos funcionários homens de cabelo comprido. E depois que ela mesma estava com o cabelo solto. Mas seu cabelo é loiro e liso, então imagino que tudo bem.
De lá pra cá, Ester foi tirada da recepção da escola e colocada pra trabalhar num arquivo, carimbando carteiras de alunos. Parece óbvio que o Anhembi Morumbi não vai despedi-la enquanto o assunto estiver na mídia.
Bom, a revolta do leitor que me escreveu nem era tanto com o caso em si, mas com a coluna de André Forastieri para o R7. André gosta de polemizar. Eu não costumo lê-lo, mas já fiquei indignada uma vez, quando ele disse que não via problema algum em comer carne de cachorro. O título de seu texto sobre o caso de Ester já resume o que ele pensa: “Nem injustiça, nem racismo: o mundo é assim”.
André diz, que, “de longe”, não vê racismo na atitude da escola. E dá alguns exemplos de como funcionários devem se vestir de acordo com o lugar que trabalham. E ter o tipo físico adequado também (“gordeta” não pode trabalhar em academia, segundo ele). Então não é racismo, determina André, porque é assim que as coisas funcionam, e Ester, como estagiária, está aprendendo uma grande lição ao ser informada disso (porque, suponho, ela não sabia que o mundo era racista). Pergunta e responde André: “É chato para Ester? Certamente. É raro? Claro que não. [O que é raro? Não fica claro!]. É injusto? Bem, quem trabalha representa a empresa onde trabalha”.
Por incrível que pareça, para André, a exigência de usar terno e gravata para advogados se equivale a ter que alisar o cabelo se a funcinonária (qualquer uma, em qualquer empresa?) for negra. Dá na mesma trocar de roupa, e empestar os cachos de tóxicos para se enquadrar a um padrão de beleza que prega que só cabelo liso é bonito? Tudo igual.
Vou ser radical aqui: falar mal do cabelo de um negro (e, mais ainda, de uma negra, já que no nosso mundo “boa aparência” importa muito mais para mulheres que para homens, já que mulheres são avaliadas quase que exclusivamente pela aparência) é racismo. Sempre. Porque ter cabelo crespo é um dos traços principais (junto com quadris grandes pras negras) dos negros. Aliás, poucas vezes esse tipo de cabelo é chamado de cabelo crespo. Temos outro nome pra isso: cabelo ruim. Como pergunta este excente curta, “O que o cabelo fez pra ser chamado de ruim?”. Pois é, quem determina que o cabelo de toda uma raça é ruim? Baseado em quais critérios? E temos que aceitar essa avaliação baseado no “o mundo é assim, é assim que as coisas são”?
Se aceitássemos que o mundo funciona assim, fazer o quê?, não teríamos tido mudança alguma. Imagina as mulheres do século 19 não se rebeleram contra o fato de não poderem votar porque “é assim que as coisas são”. Imagina os gays acharem que tudo bem homossexualidade ser vista como doença tratável à base de eletrochoques porque “é assim que as coisas são”. Imagina os negros e demais abolicionistas na época da escravidão, negando que o mundo seja injusto ou que haja racismo porque, afinal, “é assim que as coisas são”. É chato para escravos negros? Certamente. É raro? Claro que não. É injusto? Bem, quem é escravo representa o dono pra quem trabalha.
Felizmente, não é André quem tem que decidir se a escola foi racista. Quem decide que foi vítima de racismo é quem sofre a discriminação. Não ele ou eu, que somos brancos. Quer dizer, quem denuncia o crime (e, pra denunciá-lo, é preciso que quem o sofreu considere que houve um) é a vítima. Depois quem decide se de fato houve crime é um sistema cheio de homens brancos e héteros, totalmente neutros e imparciais, lógico.
Como polemista, André se considera um questionador. Uma dica: quem questiona nunca deveria dizer em tom conformista que “o mundo é assim”. Só os conservadores se conformam em viver num mundo preconceituoso. O mundo não tem que ser assim. E, se depender de gente que questiona e luta, não vai ser.

P.S.: E por falar em luta: terça-feira, dia 13, às 14 horas, haverá um protesto em frente ao colégio. Chama-se "Solte o cabelo! Prendam os racistas!". Participe, mesmo que você seja branc@.

Matéria publicada no Blog Escreva Lola Escreva em 10 de dezembro de 2011: 

10 de novembro de 2011

Perto dos 30...

  Sou dos escritores que não sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, tudo que faço hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho e na minha arte. Não escrevo muito sobre a morte: na verdade ela é que escreve sobre nós - desde que nascemos vai elaborando o roteiro de nossa vida. O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos melhor muitas coisas. Assim como a doença nos leva a apreciar o que antes achávamos banal e desimportante, diante de uma dor pessoal compreendemos o valor de afetos e interesses que até então pareciam apenas naturais: nós os merecíamos, só isso. Eram parte de nós. O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância. Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes. A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura. Às vezes é preciso recolher-se.

Lya Luft

8 de outubro de 2011

Crônica do amor


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.


Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.


Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.


Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.


Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?


Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.


Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.


Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?


Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.


É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.


Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?


Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.


Não funciona assim.


Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.


Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!

(Estou em dúvida sobre o nome do autor)





6 de setembro de 2011

Quer romance? Aluga um filme!kkkk... Hoje é oficialmente o dia!


Hoje só tenho tempo para uma rapidinha. rsrsrs...  
Mas se você tiver tempo para mais uma, duas, três... Ufa! Que loucura!!! Não perde tempo! Dá aquela caprichada no visual, faz aquela ligação, confere o manifesto abaixo e se joga na cama, sofá, chão... Onde você preferir! Uiii!!! Hoje, casados e solteiros estão intimados ao prazer. Esquece aquele papo de que é pecado, solta a imaginação e relaxa, afinal, hoje é



MANIFESTO 
                                                                    
Dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, dia dos namorados. Em meio a tantas datas comemorativas no nosso calendário oficial, por que não criarmos um dia em homenagem àquilo que deu origem a tudo: o sexo?

Pense bem. Graças a ele você existe, sua família existe, a humanidade inteira existe. O sexo está presente em tudo, desde a literatura, arte e moda, até a Bíblia.

Sexo é música. Sexo é dança. Sexo é muito mais que um ato. Ele é prazer, amor, vida. E é por esta importância que nós estamos propondo a criação do Dia do Sexo.

Um dia para a sociedade brasileira discutir abertamente o assunto. Mostrar o seu lado positivo. Quebrar tabus. Acabar com preconceitos. Disseminar o sexo seguro. E, é claro, fazer sexo.

Por estas razões, acreditamos que o Dia do Sexo seja essencial no calendário oficial do Brasil. E pedimos o seu apoio para esta iniciativa.

JUNTE-SE A NÓS. DIA DO SEXO - 6/9

www.diadosexo.com.br
 

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte...
Amor é pensamento
Teorema
Amor é novela
Sexo é cinema..
Sexo é imaginação
Fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia...
O amor nos torna
Patéticos
Sexo é uma selva
De epiléticos...
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Oh! Oh! Uh!
Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom
Amor é do bem...
Amor sem sexo
É amizade
Sexo sem amor
É vontade...
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes
Amor depois...
Sexo vem dos outros
E vai embora
Amor vem de nós
E demora...
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Oh! Oh! Oh!
Amor é isso
Sexo é aquilo
E coisa e tal!
E tal e coisa!
Uh! Uh! Uh!
Ai o amor!
Hum! O sexo!

14 de agosto de 2011

Ela tem sorte.

Quase balzaquiana, cheia de sonhos, sem filhos (ainda), estudante, professora, militante... E hoje acordou com saudade de uma manhã na praia. Em um ano qualquer da década de oitenta, a praia de Boa Viagem, aquela querida BV, tinha uma beleza... 

Ele a segurava pela mão, ela não questionava, simplesmente sorria a cada passo que a aproximava do mar. Era tão menina. Biquine de lacinho, chinelo e chapéu combinando, seguia feliz.

Outra mulher chegou, ela não conhecia. Não conhecia também o ciúme, aquela foi a primeira vez.

Sem se preocupar com boas maneiras, ela guardou o sorriso, jogou areia na tal mulher e bem raivosa falou: Pai, eu quero ir para casa!

Ele não atendeu ao pedido e passou os últimos anos sem atender.

Mesmo assim, saudade das manhãs na praia... Quando ela insistia em aprender a nadar e o outro a deixava ir “até o fundo”. Saudade de tomar sorvete e picolé antes de Mainha chegar e reclamar. Saudade de quando esse outro era mais jovem e a carregava no ombro antes de mergulhar.

Hoje o outro está mais velho, já não a carrega nos ombros, mas sempre atende aos pedidos dela. Sempre vem com aquele sorvete que ela adora... E mesmo com quase trinta, o outro ocupou o espaço que ele deixou e fez o dia de hoje (e os últimos) feliz.

Painho, meu pai de coração, Feliz dia dos Pais!




9 de agosto de 2011

Ah, o amor...



Para uns é o luar, para outros é fogo que arde, para tantos: fun-da-men-tal! O amor é essa coisa louca que bole a gente, que assanha o cabelo, que arrepia o corpo inteiro e nos faz flutuar... De certo essa coisa sem respostas cientifica nos faz um bem danado. Será que entrar em um avião mesmo quando não se está de férias quer dizer AMOR? rsrs...

Já não tenho idade para princípes (nunca gostei desses caras), vivi amores sofridos, superei e, cá estou certa de que esse tal de amor me refaz. E muitas vezes antes do sol chegar, revejo a vida inteira e a dou bom dia! E me dou a ela e disperto cheia de amor, cheia de alegria. Foram muitos os temporais mas, as flores de abril, aquelas que ninguém viu, só eu sei contar: eram lindas! Eram o amor.

E cá entre nós, as flores de março e abril acenderam uma certeza: Sempre e quantas vezes o amor me chamar, entrarei em avião, barco, navio, busão só para do ouro lado encontrar aquele sorriso de sol, aquilo que não tem explicação, aquilo que me completa e me deixa em paz... Tarde nas paineiras e o beijo de adeus foi o todo de uma parte funtamental... Todos os dias ele me refaz. Mil vivas ao AMOR!







22 de julho de 2011

Rua da Aurora





Amanheci com a cabeça cheia de afazeres, deveres e dramas.

Recolho o necessário e saio à labuta.

Deparo-me diariamente com o mesmo cenário, mas geralmente não olho.

Sigo a pensar no tanto por fazer, no tempo que corre, na angustia dos dias...

Um vento vindo sabe lá de onde sacode minha saia e no mesmo instante desliga o pensamento pesado e me leva para aquele cenário diário: Rua da Aurora, casarões que contam histórias, as margens do Capibaribe lá estou.

Seguro minha saia, sinto o calor do rubro da face e ouço assovios e uma voz ousada que diz:

-Segura a saia galega, meu coração é operado!

Vermelha como um tomate, seguro a saia, corro para não perder o sinal e, ao chegar do outro lado da rua, deixo escapar um leve sorriso dedicando alguns instantes a contemplar a manhã ensolarada refletida no rio de João Cabral de Melo Neto.

Em instantes retomo minha rotina matinal, sigo leve, porém, antes de seguir com o meu longo dia, em pensamento eu digo: Bom dia, Recife!! (segurando a saia, claro!)rsrsr...